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Fraternidade, sempre!

Edição nº4 – dezembro 2003

Dr. JouBasta o Natal se aproximar que a fraternidade volta à tona. É curioso como as pessoas ficam mais humanas e solidárias nesta época: sorriem umas para as outras no trânsito, relevam mágoas acumuladas durante o ano, aceitam melhor as diferenças alheias, ajudam quem precisa... E o espírito natalino resgatando a premissa cristã de que somos todos irmãos e devemos amar o próximo como a nós mesmos. Ora, se temos consciência de que a felicidade do outro depende de nós.
e vice-versa, por que será que, como as compras de Natal, sempre deixamos a prática da fraternidade para a última hora? Por melhores que sejam as razões - falta de tempo, de oportunidade, de dinheiro... elas não mudam a realidade: uma virtude, para cumprir sua função de nos elevar moral e espiritualmente, deve ser exercitada dia após dia, e não apenas em determinadas datas do calendário.
Praticar a fraternidade é mais simples do que parece - afinal, ela já faz parte da condição humana. Somos seres gregários por natureza, nascemos para viver em união com as outras pessoas. Para ter uma idéia da força dessa convivência, dificilmente nossa espécie teria sobrevivido não fosse a cooperação, a lealdade e, claro, o afeto, aprimorados ao longo de séculos. Não há dúvida de que avançamos bastante, mas ainda há muito a fazer pelo outro e por nós mesmos para atingirmos a fraternidade plena.
Temos muito trabalho pela frente - mas como ajudar? Enxergando além do espelho e reconhecendo o outro como uma extensão de nós. Afinal, se somos iguais, temos as mesmas necessidades e anseios. Quando estiver em dúvida sobre como ser mais fraterna, pergunte-se o que faria se estivesse na situação alheia. A projeção é um ótimo exercício para entender as pessoas e unir-se a elas de verdade.
Isso me lembra a história de dois idosos que dividiam um quarto numa casa de repouso. O que tinha a cama próxima à janela passava o dia descrevendo a paisagem para o outro, que estava mais distante e não conseguia levantar. Ele narrava com detalhes as cores e formas do parque, a brincadeira das crianças, as conversas que ouvia. A cena se repetiu durante meses, até que o homem que ficava ao lado da janela faleceu. Após algum tempo, o outro pediu à enfermeira que o transferisse de cama, para que visse tudo o que o amigo havia descrito. Quando ele se aproximou, descobriu que não havia paisagem - só um muro alto e um cesto de lixo...
A lição de vida aqui é clara. Muitas vezes, é preciso colocar o bem-estar das pessoas acima do nosso, fazer de conta que está tudo bem para trazer mais conforto a quem está perto da gente. Acredite: se 0 outro estiver feliz, você também estará - e este é o segredo da verdadeira fraternidade.

seja fraterna em cada gesto

Repita a seqüência abaixo durante este mês...
Afirmação matinal: "Os outros são iguais a mim, temos as mesmas necessidades e os mesmos anseios. Vou fazer o que posso para que as pessoas sejam mais felizes".

quando estiver em dúvida, pergunte-se: "O que eu faria ou gostaria de receber caso estivesse na situação de determinada pessoa?"

repita para si mesma: "Farei o que estiver ao meu alcance para dar ao outro o que tenho de melhor: meu perdão, meu afeto, minha alegria...'

diário noturno: Medite sobre como foi incluir a fraternidade no seu dia. De que modo contribuiu para diminuir as distâncias emocionais e materiais entre as pessoas? 0 que sentiu?

*Dr. Jou Eel Jia é médico de formação clássica e professor de medicina tradicional Chinesa.



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